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Transtorno Bipolar em crianças: sete fatores que ajudam a identificar

Diferente do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), que pode atingir de 6 a 10 por cento da população infanto-juvenil, o Transtorno Bipolar atinge 0,8 a 1 por cento das crianças, e já pode ser identificado desde cedo, ao contrário do que muitos acreditam.

De 5 a 15 por cento das crianças com um transtorno tendem a apresentar o outro associado, mas mesmo assim existe uma importante diferença entre os dois. Esse transtorno leva a imensos prejuízos no relacionamento social e na evolução afetiva na infância, e seus sintomas já podem ser identificados antes dos 5 anos de idade.  

Os especialistas alertam que quanto mais cedo o transtorno for identificado, melhor será o desenvolvimento na adolescência. Segundo um estudo publicado pela Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente (AACAP), crianças pré-adolescentes com Transtorno Bipolar apresentam uma maior dificuldade de atenção, concentração, memória e aprendizagem. Isso mostra que os indivíduos que não são diagnosticados na infância apresentarão problemas de oscilação de humor e prejuízos na capacidade de aprendizagem mais tarde durante a vida.

Existem fatores que podem ser analisados pelos pais como primeiro passo para o diagnóstico. É conhecendo mais sobre o assunto que nós conseguimos gerar consciência nas famílias.

1. Oscilação de humor

O primeiro ponto a ser analisado, é o sintoma chave do Transtorno Bipolar: a mudança repentina de humor. A criança com Transtorno Bipolar muda de semblante de uma hora para a outra, e deixa de ser carinhosa para ficar repentinamente isolada do convívio de um dia para o outro.

2. Histórico familiar

O histórico familiar pode ser um fator em 80% dos casos de Transtorno Bipolar. Muitos pais fazem pouco caso e acabam repetindo que a criança puxou o avô ou o tio, por exemplo, como se isso não fosse importante. Muitas vezes, pode ser que o tio ou o avô tivessem mesmo o transtorno e nunca foram diagnosticados. 

3. Ambiente difícil

Uma predisposição genética pode ser agravada por um ambiente familiar muito rígido, difícil ou de pouca afetividade. O ambiente menos acolhedor pode atrapalhar ainda mais o problema e promover crises ainda mais intensas. 

4. Hiperatividade cíclica

Ao contrário da criança com TDAH, que está sempre agitada, a hiperatividade em uma criança com Transtorno Bipolar é cíclica e se alterna com um comportamento mais calmo em momentos alternados. É preciso estar atento a essa alteração de comportamento, especialmente se ela for abrupta.

5. Hiperssexualidade precoce

Crianças bipolares costumam apresentar uma sexualidade precoce. Geralmente, meninos e meninas com esse distúrbio podem ter insinuações, o desejo de se vestir como adulto com roupas curtas e maquiagem, por exemplo, e até mesmo um desejo sexual diante dos colegas da escola.

6. Comportamento controlador e ciumento

Enquanto que as crianças com TDAH apresentam maior dificuldade de aprendizado em matemática e linguagens desde idades mais jovens, em vez de desenvolverem apenas na pré-adolescência, o Bipolar via de regra não apresenta este problema de início. É um transtorno mais comportamental, que costuma deixar a criança extremamente ciumenta e controladora em relação às atitudes do dia a dia. E eles apresentam uma irritabilidade independentemente de qualquer tipo de frustração.

7. Falta de sono

Por fim, os especialistas alertam para um detalhe importante e comum nesta fase da vida: a falta de sono.

Muitas pessoas confundem esse comportamento com o TDAH. No entanto, ao contrário da Hiperatividade, a insônia no Transtorno Bipolar não faz com que a criança apresente sonolência pela manhã. Ela continua sem sono durante o dia. 

Por fim é importante que os pais identifiquem esse comportamento nos filhos e busquem ajuda do profissional correto: um neuropediatra ou psiquiatra infantil. O tratamento será melhor quanto mais interdisciplinar for a equipe de profissionais.